Projeto Polo Sul Solo




No dia 02 de novembro, próxima segunda feira, estarei retornando às minhas atividades de viagem de longa distância.
Roberto Simioni, Ari Fiadi e eu, pilotaremos uma BMW LT, uma GT e eu uma Burgman 650 com destino à Terra do Fogo (Ushuaia - Punta Arenas).

Em Punta Arenas iremos nos despedir do nosso grande amigo, o expedicionário, Júlio Fiadi, que irá fazer 1.200 km a pé na Antártica puxando sua cápsula até o Polo Sul Geográfico.

Disponibilizaremos em nosso site as fotos desta viagem, assim como o mapa que estará o tempo todo sinalizando o local por onde estaremos passando e/ou pernoitando. Durante toda a viagem teremos um carro de apoio, ou seja, uma Hilux SW4 com reboque que será pilotada pelo Leonardo Falcon.

Estamos felizes por poder perpetuar dentro de nós o "verdadeiro espírito estradeiro" .
Saudações motociclísticas,

27/11/2009 - Fotos do Projeto Polo Sul Geográfico

Como previsto, partimos nesta segunda feira - 02 de novembro, fazendo uma puxada de 150 km/hora (em média).  A Burgman desenvolveu muito bem até Curitiba.  E, para garantir esta performance, realizei a revisão dos 1000 km.  Por motivos particulares o Leonardo Falcon, quem pilotaria o nosso carro de apoio, não pode partir conosco.  Por esta razão, nosso querido amigo Lula, assumiu a direção na Hilux SW4.  Nestes dois primeiros dias de estrada, sob sol quente, por não ter usado luvas, fiquei com as mãos queimadas.  Bem, nesta quinta feira seguiremos viagem em direção a Foz do Iguaçu.

Saudações motociclístas,
Aziz & Amigos

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Rodamos até Bariloche - 4.500 km a uma média de 150/160 km por hora.  Hoje - 09 de novembro - estamos viajando com uma temperatura de 08 graus e iremos dormir em Esquel (próximo a Cordilheira dos Andes).  Estamos fazendo em média 650/700 km por dia. 

O grupo, Roberto Simioni, Ari Fiadi, Lula e eu, estamos curtindo muito a viagem. Passamos hoje por uma região muito bonita, ao lado de lagos com água de cor verde azulada.  Esse trajeto foi feito entre Chocon e Bariloche - lindíssimo lugar!  Vale a pena nossos amigos motociclistas conhecerem esta região.  Chocon fica a 130km de Neuquen.   Pedimos desculpas a todos por não ter tirado, até o momento, nenhuma fotografia.  Em mais dois dias estaremos em Punta Arenas. 

Estamos enfrentando ventos de 80 a 90 km por hora.  Isto tem nos atrapalhado um pouco, além do frio.  Em breve faremos novo contato.

Saudações motociclistas,
Aziz & Amigos

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Ontem, quarta-feira, chegamos a Punta Arenas.  Saímos de Esquel em direção a Comodoro Rivadia, descendo para o sul, passamos por Caleta Oliva, onde enfrentamos um bloqueio na estrada - movimento dos "Sem-Terra" Argentino.  Ficamos parados na estrada por duas horas até a polícia de choque liberar o bloqueio.  Continuamos por mais 280km até Tres Cerros.  A quilometragem total deste dia de viagem foi de 900km. 

Enfrentamos ventos laterais de 90km/h.  Saímos de Tres Cerros e viemos direto para Punta Arenas e neste trecho andamos 850km, dos quais, os últimos 250km com chuva e temperatura de 5 graus.  Realmente foi um trajeto difícil, mas chegamos bem!  Encontramos nosso amigo Júlio Fiadi e batemos um longo papo com ele.  Hoje, às 06:30 horas, ele com seu amigo e apoio - Igor, iniciaram a travessia aérea para a Antártica.  Iremos permanecer em Punta Arenas por dois dias para repor algumas coisas, troca de óleo das motocicletas, lavagem de roupas e descansar um pouco. Do Rio de Janeiro até aqui, percorremos - pelo trajeto que fizemos - 7.200km. 

Até agora nossa viagem está sendo 10! Nosso próximo destino é Ushuaia que dista 650 km ao sul.  Iremos cruzar o Estreito de Magalhães (é uma passagem navegável de aproximadamente 600 km. Situa-se entre o continente e a Terra do Fogo e o cabo Horn ao sul. O estreito é a maior e mais importante passagem natural entre os oceanos Atlântico e Pacífico).

Até breve...
Aziz & Amigos

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Saímos de Punta Arenas na sexta-feira rumando em direção ao Estreito de Magalhães e pernoitamos num lugarejo chamado Cerro Sombrero.

Tivemos um pequeno acidente com o carro de apoio, isto é, o pino bola do engate do reboque se soltou, mas felizmente não houve maiores avarias. Conseguimos um outro emprestado e continuamos nossa viagem.

Atravessamos o Estreito de Magalhães numa grande balsa.  Esta travessia é muito bonita e dura cerca de 40 minutos.  Passamos pela bela cidade de Rio Grande.  O trecho entre Rio Grande e Ushuaia foi difícil em razão da baixa temperatura.  Ao cruzarmos os Andes - a 30 km do Ushuaia - experimentamos temperatura de 1 grau.  Chegou a nevar neste trajeto.  É, de fato, uma região muito bonita e cercada de muitos lagos.  O mais bonito de todos é o Lago Escondido.

Chegamos ao Ushuaia às nove da noite e nos hospedamos no belíssimo Hotel Glaciar que fica no alto das montanhas.  Cercado de montanhas cobertas de neve e com a vista deslumbrante para o Canal de Beagle.  Nesta região é comum viajar até tarde em razão do anoitecer, que só acontece às 22 horas.

Amanhã, segunda-feira, iremos ao Parque Nacional do Ushuaia, entre outros pontos turísticos que pretendemos visitar. As motos se comportaram muitíssimo bem. Apenas meu pneu traseiro já se foi - com 7.900 km rodados.  Ainda bem que trouxe um reserva!
Manteremos contato.

Abraços,
Aziz & Amigos

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Na terça-feira - 17/11, saímos do Ushuaia dando início ao nosso retorno.  Rodamos 420 km, dos quais, 130 km de ripel (estrada de terra com muitas pedras).  Tivemos neste trajeto duas quedas, uma minha na ida e outra do Ari na volta.  Caí a 60 km/h, por um erro que cometi, saí das trilhas dos pneus.  A Burgman é muito arisca.  Felizmente não me aconteceu nada fisicamente. E o Ari com sua GT 1200, caiu no retorno.  Também uma queda sem maiores consequências.  Pernoitamos em Cerro Sombrero.

Ontem - 18/11, fizemos o percurso de Cerro Sombrero até Puerto San Julian. Uma bela cidade no Atlântico.  Aproveitei e troquei os pneus traseiro e dianteiro da Burgman.  Prosseguimos até Comodoro Rivadavia onde pernoitamos.  Ari e Simioni também trocaram os pneus traseiros de suas GT 1200 e LT 1200.  Neste percurso, pela primeira vez, vivenciamos temperatura de 22 graus.

Hoje, sairemos do Comodoro Rivadavia com destino a Rio Colorado que dista, aproximadamente, 900 km.

Saudações,
Aziz & Amigos

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Nesta quinta-feira, andamos 840 km até chegarmos em General Conesa, onde pernoitamos.  De General Conesa fomos para San Miguel Del Monte que fica a 100 km de Buenos Aires.
Rodamos hoje, sexta-feira - 20/11/09, 927 km. Foi uma viagem ótima!  Chegamos em São Miguel Del Monte às 20:30 horas. Recebi um telefonema do expedicionário, Júlio Fiadi, dizendo que andou durante três dias, 36 quilômetros, ou seja, uma média de 12 quilômetros por dia.  E que nestes três dias de caminhada, enfrentou mal tempo.  Nesta primeira etapa ele irá subir 800 metros acima do nível do mar.  É a etapa mais difícil.  Ele estava feliz, sorrindo ao telefone e, segundo ele, o moral - de 0 a 10 - está 9,5.
Nosso grupo continua retornando ao Brasil e o Júlio continua em direção oposta, indo para o Polo Sul Geográfico. Amanhã, pretendemos atravessar Buenos Aires, a Bacia do Tigre e seguir em direção ao Uruguai.

Até breve,
Aziz e Amigos

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Chegamos a Bueno Aires no sábado e no domingo, debaixo de chuva, saímos em direção à Colônia e lá pernoitamos.  Colônia é uma cidade histórica muito bonita e fica no sudoeste do Uruguai. Ontem, saímos de Colônia e fizemos um belo passeio pelo litoral do Uruguai - Montevidéo, e rumamos para Punta Del Leste, onde almoçamos. 

À tarde continuamos a viagem e pernoitamos no Chuí. Hoje, pela manhã, saímos em direção à Pelotas, onde iremos ver uma motocicleta Horex Regina - 1952.  Se estiver em bom estado de conservação iremos levá-la para o Rio.

Nosso amigo Júlio Fiadi, caminhou ontem 18 km e está chegando, muito bem, no local da sua primeira e última parada.

Saudações, Aziz & Amigos


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Saímos ontem (23/11 - segunda-feira) do Chuí e pernoitamos em Camaquã, que fica a 450 km do Chuí. 

Hoje, em Pelotas, como dito anteriormente, fomos ver a motocicleta Holex Regina - 350cc - 1953, e constatamos que a máquina está linda! Fantástica!  Nem é preciso dizer que estamos rebocando a mesma... foi uma bela aquisição! 

Bem, neste momento estamos em Torres - debaixo de muito chuva - e seguiremos viagem em direção a Florianópolis.  Pretendemos, se a chuva deixar, pernoitar em alguma cidade depois de Floripa.

Abraços, Aziz & Amigos

 

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Ontem, apesar da chuva, conseguimos esticar até Barra Velha. Estamos saindo hoje de Barra Velha com destino a São Paulo e vamos percorrer 650 km. O tempo amanheceu chuvoso e, por isso, acreditamos que iremos viajar o dia todo com chuva.

Nosso amigo Júlio Fiadi, nos ligou ontem à noite informando que já havia deixado a base e estava a 10 km à frente da mesma. Este primeiro trecho é o mais difícil. Inclusive, o tempo está muito instável. Até o momento Júlio caminhou, aproximadamente, 110 km.

Até breve, Aziz & Amigos

 

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Chegamos em São Paulo e no Rodoanel nos despedimos do nosso companheiro de viagem – Roberto Simioni, que seguiu em direção a Vinhedo - cidade onde mora.

Em São Paulo, fomos direto à San Diego e lá encontramos o nosso amigo Diego. Aproveitei para balancear a roda dianteira, pois após a troca do pneu, ela passou a vibrar muito.  (Dica: sempre que você realizar a troca de um pneu e, não houver no local balanceamento de roda, mande retirar algum chumbo que possa existir na roda p/ balanceamento anterior). 

Nos despedimos do nosso amigo Ari Fiadi e seguimos viagem em direção ao Rio de Janeiro. Fizemos, no eixo São Paulo / Rio, uma viagem de retorno cautelosa para que a festa terminasse bem.  Estatisticamente, a maioria dos acidentes, ocorrem na saída em função da “euforia” ou na chegada pelo excesso de confiança.  Graças a Deus, a nossa viagem  terminou muito bem! 

Saímos do Ushuaia com temperatura de 1° grau e chegamos ao Rio de Janeiro (ontem – 26/11/2009) – Linha Amarela, com temperatura de 41° graus.  Uma pequena variação de somente “40° graus”.

Apesar da Burgman ter sido projetada para uso na cidade e para pequenas distâncias, ela me surpreendeu pela elasticidade do motor, pela ciclística, pela competente eletrônica do tripitronic de 6 marchas e por seu câmbio automático.  Como era de se esperar, sofri muito com sua suspensão, pois possui um curso muito curto (por diversas vezes fui ejetado da moto nas cabeceiras das pontes – felizmente minha coluna resistiu).

O percurso total da viagem foi de 13.500 km percorridos em vinte e cinco dias, rodando sempre acima de 130 km por hora.  Normalmente andávamos entre 140 e 160 km.  A velocidade máxima que atingi de velocímetro foi de 192 km/hora.   O comportamento da Burgman nesta velocidade foi bastante estável. Seu consumo variou entre 12 e 20 km por litro, e tenho a impressão que, além dos fatores - velocidade e vento, o que determinou o consumo, a meu ver, foi a qualidade do combustível.

Essa viagem teve um sabor diferente para mim, pois foi o retorno ao motociclismo.  A receptividade que tive do Ique ( Star News – Curitiba), San Diego e Hotel C'ad'oro (ambos em São Paulo), foi muito bom ver a alegria estampada no rosto das pessoas que me viram de cadeira de rodas, de muletas e agora chegando em uma moto.

Esta moto, a Burgman, ficará exposta no museu Roadman Collection Motorcycle – na sede do nosso clube – como também, a muleta que usei nesta viagem.

Confesso que já estou com saudade e vontade de voltar para a estrada...

O Projeto Polo Sul Solo só terminará com o regresso do último componente da nossa equipe – o expedicionário Júlio Fiadi -  que já percorreu próximo de 200 km.

Saudações motociclísticas,

Aziz

 

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Ontem ( 01 de dezembro – terça-feira), recebi um telefonema do Júlio informando que caminhou, neste dia, 14 km. Reclamou muito da irregularidade do solo que fez seu trenó tombar muitas vezes. Com o moral alto, sorridente e esperando a melhora do solo para que possa atingir a marca de 20 km / dia.
Está enfrentando temperatura de 24° negativos fora do trenó e 13° positivos dentro do trenó.

Abraços,
Aziz

 

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Prezados amigos motociclistas,

Acabo de receber o relato do nosso amigo Júlio Fiadi sobre a expedição Polo Sul Solo. Ressalto a coragem e a determinação do Júlio em enfrentar as intempéries na Antártica.

Transcrevo o relato, na íntegra, pois vale a pena sentir do próprio Júlio seus dias no continente gelado.

Felizmente retornamos todos com saúde e com a sensação do dever cumprido.

Abraços,
Aziz

“Caro Aziz.

Tive dias espetaculares na Antártica, que tenho certeza, ficarão na minha memória para sempre. Foi a minha 12ª expedição ao Continente branco, e em nenhuma delas encontrei tantos dias de condições climáticas adversas como desta vez.

Os dias parados ou de pouca distância percorrida (tanto por total impossibilidade de prosseguir, como por segurança), custam caro a qualquer explorador polar. É preciso recuperar nos dias de bom tempo, as distâncias que deixaram de ser percorridas nas tempestades de vento e neve. Por razão de redução de peso a ser transportado, o combustível e alimentos são extremamente limitados.

Apesar de estar muito bem preparado fisicamente, e ter me esforçado ao limite do meu corpo, não consegui fazer as médias de distância que precisava e comecei a ficar sem comida. Quando estava em um bom lugar para pouso do avião de resgate, e percebi que não chegaria ao abastecimento nas montanhas Thiels, avisei o acampamento base da situação.

Pedi apenas para ficar o máximo possível andando por lá, sozinho, antes de ser resgatado.

E assim foi.

Embora não tenha chegado próximo ao Pólo, desta vez fiquei muito contente com a experiência.

Passei 31 dias morando no trenó, 27 deles andando sozinho pelo gelo, sem ver nada vivo ou qualquer sinal da presença humana. Em boa parte da jornada, é bem provável que eu fosse a pessoa mais distante de um outro ser vivo no mundo inteiro!!

Uma experiência inesquecível, que depois conto em detalhes.

Em Punta Arenas (e em outros lugares) correu um boato que eu caí em uma fenda. Não era verdade. Estou super bem! Uma canadense caiu em uma fenda perto de Hercules Inlet, e por muita sorte conseguiu chamar o staff do acampamento de Patriot Hills por Iridium de dentro da fenda. Eles foram até lá e a resgataram.

Como a notícia só vazou parcialmente, todo mundo pensou que fosse o brasileiro que havia caído, e não uma experiente exploradora canadense. Mas naquele momento, eu já estava bem mais ao Sul, na latitude 81°.

A cápsula polar provou ser um projeto vitorioso, que me ofereceu proteção nos momentos difíceis, enfrentando tempestades com ventos de até 200 kmts/h, e conforto e tranquilidade nos importantes momentos de descanso. Tenho certeza que nosso pioneirismo vai representar um avanço na evolução das expedições polares.

Quero deixar claro, que não jogo a culpa no clima por não ter alcançado o Pólo Sul geográfico. A responsabilidade é toda minha, pois condições climáticas adversas fazem parte de expedições polares, e eu deveria ser capaz de superá-las para ter sucesso.

Perdi 350 gramas de peso em cada dia de caminhada, mesmo consumindo 7000 kcal/dia, o que prova que meu esforço físico não foi dos menores. Mas não o suficiente.

Deixei a van com o trenó em Punta, e vim de avião matar as saudades da minha mulherada. Nos próximos dias volto com elas para buscar o carro.

Trouxe um bom material (vídeo e fotos). Com a cabeça fresca, vamos decidir o destino dos produtos da expedição.

Não poderia ter recebido incentivo maior do que a chegada de vocês (Aziz, Roberto Simioni, Lula e meu querido pai Ari) vindos de moto, numa viagem de mais de 6000 km, para o apoio moral e a despedida em Punta Arenas, antes do meu embarque para a Antártica.

Muito obrigado pelo apoio e dedicação que sempre tive de vocês.

Um Puta Abraço.

Julio Fiadi”

 
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